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OPINIÃO | Quando Abril serve para campanha eleitoral

Esta semana um artigo de opinião de Eduardo Rodrigues, vereador eleito pelo Partido Socialista na Câmara Municipal do Seixal e cabeça-de-lista às Autárquicas 2017.

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A celebração da Revolução de Abril de 1974 é algo que ninguém, em democracia, deve deixar passar em claro. Não podemos deixar que se apague a memória do que Portugal viveu durante décadas sob o regime ditatorial, o atraso a que o nosso país esteve sujeito e, sobretudo, as perseguições sofridas pelos que lutaram pela mudança.

 

Não podemos esquecer também os capitães de Abril, que nesse glorioso dia 25 decidiram tomar o futuro nas suas mãos e conquistar para Portugal e para os Portugueses o bem maior de qualquer nação: a Liberdade.

 

Nem podemos esquecer os que tombaram, quer na luta por essa liberdade às mãos de carrascos, quer também numa guerra estéril e sem sentido, vivida em terras africanas contra um povo que lutava também por liberdade e pela sua soberania.

 

Tudo isto é Abril.

 

Mas, não há bela sem senão, e no concelho do Seixal, Abril não serve para o executivo comunista do PCP exaltar os valores da liberdade e da democracia, ou para destacar o papel que o Poder Local Democrático desenvolveu em prol das populações.

 

Não, antes serve para aclamar os feitos conseguidos ao longo de mais de quatro décadas de executivo comunista, exigir ao Poder Central o que esse mesmo executivo não conseguiu ou não quis realizar ao longo destes quarenta e três anos e iniciar a campanha eleitoral com as repetidas promessas a que já nos habituaram.

 

Recentemente foi apresentada pelo PCP uma moção relativa à data que todo o país celebra mas, em vez de referir os aspetos em que todos nos revemos nessa data saudando Abril, somos brindados com um documento onde a maioria comunista na Câmara Municipal aclama os seus próprios feitos, com dados referentes ao resultado líquido de 2016, a diminuição da dívida e o aumento de investimento previsto para 2017.

 

Até seria compreensível esta toleima em ano de eleições autárquicas, se a dita moção não fizesse referência às promessas com que, todos os quatro anos, se enchem os olhos e os ouvidos dos eleitores, num claro frenesim de compra ao voto.

 

Senão vejamos: promete esta maioria comunista que irá reforçar o investimento municipal em mais 12 milhões de euros e com este valor avançar com “um conjunto de projetos prioritários” como a construção do Mercado Municipal da Cruz de Pau, a construção das piscinas de Paio Pires, a construção do Núcleo de Náutica de Recreio de Amora e a construção do Centro de Distribuição de Água em Alta Pressão (CDA) em Fernão Ferro. Há quanto tempo são prometidos estes equipamentos? Há quanto tempo deveriam estar realizados?

 

Estas são as promessas que, cíclica e religiosamente, em cada eleição autárquica, surgem nos folhetos de campanha e, claro, no Boletim Municipal.

 

Mas esta maioria CDU tem de ir mais longe e continua a campanha, na dita moção de apoio ao 25 de Abril, com mais promessas, como a construção do Centro de Dia do Casal do Marco, a construção do Centro Residencial para Pessoas com Deficiência e do Estádio Municipal da Medideira e apoio aos futuros quartéis de Fernão Ferro e Amora dos Bombeiros Mistos de Seixal e Amora.

 

E como não podia deixar de ser em campanha eleitoral, há que apontar o dedo ao Governo, e “exigir uma política de habitação” esquecendo de todo o que este executivo do CDU não concretizou ao abrigo do Plano Especial de Realojamento de 1993, referente ao Bairro da Jamaica e ao que deixou chegar o bairro de lata de Bairro de Santa Marta do Pinhal, entre outras exigências que ficam bem na fotografia, como a requalificação do parque escolar e a construção de pavilhões desportivos, o que é realmente necessário, mas olvidando que a Câmara Municipal nem presta sequer apoio às crianças mais desfavorecidas continuando a não garantir as refeições escolares nas pausas lectivas.

 

Exige também a maioria comunista “um quadro financeiro de apoios para a recuperação patrimonial” deixando passar o facto de ter deixado chegar à ruína equipamentos históricos como os moinhos de maré do Seixal, o edifício da Mundet e o palacete da Quinta da Trindade, ambos adquiridos por esta Câmara.

 

E é neste tom eleitoralista que a maioria comunista na Câmara saudou o momento maior de Portugal, muita parra e pouca uva, quem quer faz, quem não quer arranja uma desculpa, e assim vai o Seixal “Democrático” governado pelo partido comunista há 43 anos.

 

Esta não é a nossa postura, queremos ‘Fazer melhor pelo Seixal’.

 

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