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OPINIÃO | CDU Seixal desrespeitou memória de Mário Soares

Esta semana, um artigo de opinião de Elisabete Adrião, vereadora eleita pelo PS na Câmara Municipal do Seixal

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No passado dia 7 de janeiro o país ficou mais pobre.

 

Desapareceu um grande homem, um político que permanecerá na história nacional e internacional, como um exemplo de coragem, de coerência e de defesa intransigente dos valores e princípios da Liberdade e justiça social, uma referência impar na luta pelos regimes democráticos.

 

Figura eminente na vida e política nacional, antes e depois do 25 de abril, do combate à ditadura salazarista, enquanto defensor dos presos políticos, que o levou à prisão, deportação e exílio, à consolidação do regime democrático e à construção de um país, económico, moderno e europeu.

 

Personalidade de invulgar determinação, polémico e controverso, mas também foi um dos políticos que mais procurou consensos entre os seus adversários. Mário Soares nunca desistiu, porque sempre acreditou, que o caminho era pela democracia, pela paz, pelo bem-estar e qualidade de vida das pessoas.  

 

A sua morte foi sentida um pouco por todo o mundo, não só no território português, no mundo de expressão portuguesa, mas também no quadro onde o ideário democrático se inscreve como referência maior e inultrapassável no quadro da governação e existência coletivas. Foram feitas inúmeras homenagens, mesmo por aqueles que nunca comungaram das suas ideias, mas que ainda assim, souberam respeitar a sua morte e o merecido reconhecimento ao seu legado.

 

Neste contexto, foi com especial atenção, que o país assistiu ao Secretário-Geral do PCP Jerónimo Sousa a prestar homenagem a Mário Soares, tendo colocado de lado, as conhecidas divergências que marcam as relações entre PCP e PS, esquecendo ódios e batalhas antigas. Lembrou que “o momento é de pesar, de perda e respeito pela sua morte”.

 

Pena que no concelho do Seixal, a postura do executivo maioritário CDU tenha sido diametralmente contrária, parece, única no distrito de Setúbal, optando pelo menosprezo e desrespeito nos momentos subsequentes à sua morte. Em sede de sessão extraordinária da Assembleia Municipal, realizada dois dias após o falecimento de Mário Soares, a bancada do PS apresentou Nota de Pesar seguido minuto de silêncio em sua memória, todavia, este momento ficou assolado pelo abandono da sala, por três eleitos do executivo CDU.

 

Lamentável exemplo, particularmente significativo porque cumprido pelos representantes autárquicos, democraticamente eleitos, face visível, e supostamente representativa, do sentir e vontade de todos os seixalenses, destituído de qualquer sentido democrático reflexo, puro e duro, de imaturidade política, desprestigiador do município e de todos os seus munícipes, quiçá do próprio partido que os elegeu.

 

Quando o momento devolve ao comum dos mortais a percepção da suprema significância dos valores de Humanismo, Respeito e Dignidade, eis que as motivações pessoais e ideológicas falaram mais alto, sobrepondo-se, inclusive, às obrigações inerentes aos cargos institucionais que ocupam.

 

Ao invés de respeito e consideração por um dos grandes obreiros do poder local, sim, porque se ele existe, a Mário Soares o devemos.

 

Descortesia, patente ainda na não publicação da Nota de Pesar no Boletim Municipal do Seixal, a qual foi aprovada por unanimidade, que apenas mereceu meia dúzia de palavras e a título informativo a aprovação do documento.

 

De qualquer forma, acredito que as atitudes ficam com quem as pratica e que, a devido tempo, as mesmas serão devolvidas, por quem de direito, ao patamar do esquecimento de onde não mais sairão.

 

Elisabete Adrião,

Vereadora do PS na Câmara Municipal do Seixal

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