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OPINIÃO - PEV | O Negócio do Lixo

Esta semana publicamos um artigo do PEV pelo membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista Os Verdes e Vereador na Câmara Municipal do Barreiro, Rui Lopo

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A produção de lixo, a avaliação da quantidade de lixo que se produz e recolhe foi durante anos, um forte indicador de cosmopolitismo, de se perceber, naquela medida, a urbanidade de um território, de uma cidade ou de um concelho. Quanto mais lixo produzíamos, mais “evoluídos”, mais “urbanos” podíamos ser.

 

A verdade é que produzimos muito lixo, muitos resíduos como se começou a chamar, lixo que desaparece dos nossos olhos, muitas vezes, sem darmos por ele, ou quando reparamos é porque alguém com menor civismo, não evita colocar no caixote ou ao lado do dito, se este estiver cheio.

 

Às autarquias, deve reconhecer-se o esfoço e o mérito de serviço público de recolher desenfreadamente (enquanto foi financeiramente possível), tudo o que era caixote do lixo deste país, estando meio cheio ou meio vazio. E quantos mais dias melhor. E se faltar um dia, as populações “mandam vir”.

 

Esta intensa atividade de país em desenvolvimento, em que se discutiram e construíram centrais incineradoras, se procuraram construir e construíram-se ETRI’s e CITRI’s (estações de tratamento resíduos perigosos e não perigosos), transformou-se como em tantos outros países, num interessante, intenso e lucrativo negócio. Toneladas de produto recolhido, milhares de trabalhadores, milhões de consumidores, um mercado em crescimento.

 

Transformou-se o lixo e os resíduos num negócio. Mercantilizou-se a prática e ainda hoje nos vangloriamos da quantidade de lixo que recolhemos ou do lixo que produzimos. A ponto de estar anunciado nos meios de comunicação que acolheremos para “tratamento” 2736 toneladas de resíduos perigosos provenientes de Itália.

 

Desde logo, o Grupo Parlamentar OS VERDES, colocou múltiplas perguntas ao governo, ao ministro do ambiente, sobre a origem destas 2736 toneladas, o tipo de resíduos, avaliação da sua perigosidade, qual o seu destino final, etc. Aguardemos as respostas.

 

Das conversas “de rua” que vou fazendo, reparo na admiração, no questionar, sobre a razão pela qual chegam ao distrito de Setúbal resíduos de outro país, ao que vou explicando que a partir do momento em que empresaliarizámos o sector, em que privatizámos muitas entidades do estado e das autarquias encarregues deste serviço, a partir de um momento em que continuamos a sublinhar as toneladas que recolhemos e produzimos, estamos a incentivar um negócio de grande dimensão.

 

Está no momento de inverter a lógica, de não vangloriarmos a produção e a recolha de lixo, e enveredarmos pela verdadeira Redução de consumos, particularmente de embalagens. É urgente inverter o indicador, passarmos a sublinhar, a incentivar e promover a redução da produção, esvaziar o negócio, em prol de todos nós, do planeta.

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