Euromilionária [Crónica]

Já imaginou o que mudaria na sua vida se, de repente, ganhasse o Euromilhões?

 

A nossa cronista Madalena Condado pensou nisso e conta-nos as suas reflexões!

 

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  • Madalena Barreto Condado/Cronista

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  • Madalena Barreto Condado/Direitos Reservados

Esta segunda-feira acordei a pensar que chegou a minha vez de ser milionária e que isso é algo para acontecer já esta semana, quero começar a gozar os bons prazeres da vida que só o dinheiro proporciona.
 
Fiz uma lista que penso ser o primeiro passo para um futuro milionário bem-sucedido, escrevi tudo o que pretendo comprar e todos os locais que quero visitar. 
 
Decidi que o primeiro item da minha curta lista de duas páginas teria que ser uma casa com piscina quem sabe até mesmo um velho solar ou um palacete, tem é que ser na Boca do Inferno. Foi nesse momento que comecei a pensar e se calhar não devia passar o patamar dos 600 mil euros, para já chegava ter que dar vinte por cento do bolo ao estado não queria ter que entregar o resto em IMI. O melhor mesmo era continuar no meu apartamento em Benfica onde afinal até já pago tanto imposto como o Armando Pereira e eu não sou dona da PT só de mim mesma.
No segundo ponto da minha lista conclui que preciso urgentemente de um carro novo. Mas não pode ser um qualquer, tem que ser um topo de gama, o ideal seria um jipe com bastantes cavalos que ronronasse como um gatinho. Mas aqui o problema são as constantes oscilações dos valores petrolíferos, é que mesmo com tanto dinheiro não me compensa ir a Espanha atestar o depósito. O mais seguro será ficar com o meu velho chaço a gasóleo sempre é melhor do que andar a pé, nesse momento percebi que entrava num dos últimos pontos da lista o personal trainer e parei.
Olhava para a televisão expectante com as mãos suadas e o coração a bater mais forte segurava aqueles números com se a minha vida dependesse deles. Nesse momento entravam os anúncios ainda não era chegada a hora da verdade pelo que respirei fundo e aguardei. 
 
Sei que quero viajar, para todos aqueles locais onde ainda não fui e a partir deste dia sempre em primeira classe. Champanhe, almofadas, espaço para os pés. Preciosismos na medida em que não gosto de champanhe, não consigo dormir a bordo e os meus pés não precisam assim de tanto espaço. Além de que nos tempos que correm o local para onde vamos a seguir pode ser uma verdadeira roleta russa e ser raptada para me extorquirem o dinheiro que ganhei a custo com uma misera aposta de dois euros e meio não me parece saudável. 
 
Nesse instante começava na televisão o tão ansiado momento, já a apresentadora sorria como se soubesse quem seria o feliz sorteado, as bolas rolavam hipnotizando-me, tinha o corpo hirto e a mente entorpecida, e um a um os números lá iam saindo confirmando-me as minhas piores suspeitas, ainda não foi desta.
Suspirei contrariada e amassei o papel com os números atirando-a para que os meus gatos pudessem brincar afinal podia não me ter saído a mim o grande prémio, mas para eles é como se tivessem ganho o jackpot. 
E já na próxima sexta-feira irei fazer uma actualização dessa mesma lista. Afinal sou persistente a roçar a casmurrice e sei que os diamantes continuam a ser os melhores amigos da mulher, bem como as casas, os carros, as viagens…
 
E sem que o meu marido saiba para já, pois não tem necessidade de sofrer, eu ainda faço tenção de tomar banho com o tio Patinhas pelo menos uma vez na vida.  
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