Novo livro de José Rodrigues dos Santos denuncia corrupção e máfia no coração da Igreja

O mais recente livro do jornalista e escritor foi apresentado este sábado na Sociedade de Geografia de Lisboa. Conjugando ficção com informações históricas, o romance Vaticanum aponta o dedo aos interesses políticos e financeiros que existem na Igreja Católica.

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  • Diário Imagem / JAC

Localidade
  • Lisboa

Categoria
  • Literatura

A sessão de lançamento teve início com uma encenação pelo grupo teatral Fatias de Cá do acontecimento central do romance: o rapto do Sumo Pontífice por soldados do Estado Islâmico e a transmissão em direto da sua decapitação.

 

No decorrer da história, o Papa poderá ser salvo com a intervenção de Tomás Noronha, o personagem principal dos livros de José Rodrigues dos Santos. Mas isso só será possível se forem descobertos segredos que foram escondidos ao longo dos séculos pelos homens da Igreja. E é neste contexto que entra o tema da corrupção no Vaticano.

 

A apresentação do livro foi conduzida por João Paulo Batalha, diretor da Associação Cívica da Transparência e Integridade, que considerou o combate à corrupção como um “dever de cidadania” que deve ser exercido por todos.

 

“A corrupção dos melhores é a pior”. Esta frase do atual Papa Francisco, quando ainda era cardeal de Buenos Aires, foi o fio condutor da intervenção de João Paulo Batalha, que catalogou a “cultura do silêncio” e da omissão como “crimes” que o Vaticano cometeu ao longo da História, dando como exemplo o escândalo do abuso sexual de menores por membros do clero católico.

 

A sessão de lançamento contou com a presença de cerca de 600 pessoas e, segundo um membro da editora Gradiva, as reações têm sido “muito positivas”. No entanto, alguns leitores, apesar de reconhecerem a existência destes problemas, consideram que o livro “não traz nada de original” e que José Rodrigues dos Santos quer ser uma “imitação de Dan Brown”. As críticas mais fortes acusam ainda o autor de ganhar dinheiro “às custas da Igreja”.

 

José Rodrigues dos Santos afirmou que a corrupção não é exclusiva da Igreja, mas “um problema central da nossa sociedade”, que pode vir a existir nas “melhores instituições e com as melhores pessoas”. O escritor admitiu que o novo romance é inspirado no Papa Francisco, “que tem enfrentado, de facto”, o problema da corrupção, da vaidade e dos luxos que “existem indevidamente” na Igreja.

 

O autor do livro explicou que o romance tem uma parte de ficção - o rapto do Papa – e um contexto histórico que está documentado, fruto de uma investigação que denuncia “casos verdadeiros”.

 

No entanto, não exclui a possibilidade de, um dia, este cenário de ficção ser uma realidade. “Ainda há um mês, o Estado Islâmico apontou o Papa como o ‘inimigo número um’. Isso não pode ser subestimado”, afirmou o escritor. O livro faz também referência às aparições e profecias de Fátima, numa das quais o líder da Igreja Católica é morto por “um grupo de soldados” com tiros e setas, depois de passar por uma “cidade em ruínas”.

 

Por fim, antes da sessão de autógrafos, José Rodrigues dos Santos disse que um dos objetivos do livro é “levar à reflexão” sobre a corrupção e levar a que as pessoas assumam um papel de “cidadania”, na luta contra este problema. “Devemos ser intolerantes com este tipo de comportamentos”, rematou José Rodrigues dos Santos.

 

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