Movimento Cívico reune manifestantes na Praça do Bocage

SETÚBAL – A ‘praia’ foi à Praça do Bocage

Cerca de cem pessoas participaram esta manhã num protesto algo diferente, levando a praia até à Praça do Bocage, em Setúbal.

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A ameaça de chuva num dia que se queria ‘de praia’, não demoveu os manifestantes que estenderam as suas toalhas no chão, abriram chapéus de sol ou simplesmente ficaram a assistir a um momento de dança, onde foi entoada a canção ‘This is Arrábida’.
 
Em causa estão as restrições que este Verão serão impostas nos acessos e estacionamento das praias da Arrábida, onde o estacionamento passa a ser pago, bem como o preço dos transportes, e ainda o corte de circulação na EN379 no troço entre a Figueirinha e o Creiro, implementados no âmbito do programa ‘Arrábida sem carros’ pela Câmara Municipal de Setúbal.
 
“Trata-se de um movimento totalmente cívico que nasceu nas redes sociais para expressar publicamente o que já ali se dizia” explicou ao Diário do Distrito Vanessa Alexandra, “e que nasceu quase por uma brincadeira. Um dia disse como por piada que devíamos era pegar nas toalhas e vir para a Praça do Bocage, quem seguia essa conversa achou que seria engraçado fazermos isso, e aqui estamos hoje. A intenção passa por mostrar à Câmara Municipal de Setúbal que há pessoas que não estão de acordo com o que se está a passar e que é altura de negociar.”
 
 
O movimento pretende “três acções imediatas que passam por não cobrar o estacionamento na Figueirinha, que devia ser aumentado e não taxado; a abertura entre a Figueirinha e o Creiro, e propomos a colocação de pinos numa das laterais da estrada para evitar o estacionamento abusivo, porque não pretendemos o caos como querem fazer passar, mas antes permitir que todos possam passar naquela via. E pretendemos também que os transportes sejam mais baratos. Não faz sentido que os TST estejam a cobrar um valor que é quase o dobro do que cobram por quilómetro para Lisboa.”
 
O preço dos bilhetes dos transportes “sendo mais acessível, levaria a que as pessoas não levassem o carro. O que nos é imposto não é uma alternativa, quando nos dizem que temos de pagar 4 euros por pessoa, sair na Figueirinha e se quisermos ir para outra praia temos de apanhar outro autocarro, com crianças, idosos, etc. Isto não é exequível, e por isso pretendemos um autocarro directo até ao Creiro e que os preços sejam mais baixos, tornando-se uma real opção para as pessoas.”
 
Alexandra Almeida congratula-se por algumas das conquistas alcançadas pelo Movimento, “como a retirada dos lugares privativos por 500 euros, já se fala que a medida seja provisória, fomos ridicularizados porque propusemos a colocação de pinos, e agora já se fala que no futuro serão colocados”.
 
O movimento pretende ainda obter informações “e podermos consultar o Plano de Emergência para a Arrábida, que nem sabemos se existe. Queremos também consultar o Acordo de Concessão com os TST e se houve contrapartidas com as empresas privadas (Secil e Alegro) que estão a disponibilizar estacionamento gratuito. Estes pedidos vão ser enviados formalmente à Câmara Municipal de Setúbal com um conjunto de sugestões que vão ser escrutinados no grupo.”
 
Antes da acção deste domingo, o movimento já havia entregue uma Petição Pública intitulada «Não à privatização da Arrábida!!!» na Assembleia Municipal de 27 de Abril, “que em três dias reuniu 1200 assinaturas, e até agora ainda não obtivemos qualquer resposta e já se tentou levantar o assunto em sessões de Câmara, e não obtivemos respostas. Neste momento queremos que mude o clima de imposição e passe a existir um clima de diálogo.”
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