Solidariedade

ALMADA – Famílias carenciadas com menos apoios

O alerta é dado pelo Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, uma IPSS fundada há mais de quarenta anos na Cova da Piedade, que publicou uma reportagem no seu portal online, divulgada pela Diocese de Setúbal.
 
 

Autores
  • Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro / CT

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Foto
  • DR - Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro

Localidade
  • Almada

Categoria
  • Sociedade

Os programas de acção social existentes revelam-se insuficientes para colmatar as necessidades das famílias carenciadas de Almada, uma vez que o Banco Alimentar tem vindo a diminuir as quantidades de bens alimentares entregues e prevê-se a substituição da ‘Cantina Social’, que funciona há cerca de quatro anos, pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) «que tem funcionado de forma deficiente e que não está acessível a toda a população anteriormente abrangida pela cantina social».
 
O Centro Social e Paroquial Padre Ricardo Gameiro e a Paróquia da Cova da Piedade apoiam actualmente 108 famílias, num total de 242 pessoas, através da ‘Ajuda Fraterna’, que entrega duas vezes por mês cabazes com produtos do Banco Alimentar e oferecidos pela comunidade da Paróquia da Cova da Piedade, (67 famílias – 160 pessoas), e a ‘Cantina Social’ - POAPMC (20 famílias – 51 pessoas).
 
«Para além das pessoas que todos os meses dependem da nossa ajuda para conseguirem ‘sobreviver’ com os fracos rendimentos que têm, diariamente recebemos pedidos de apoio social e alimentar. Por vezes, apenas uma refeição, um pacote de massa, de arroz ou atum, podem fazer a diferença para muitas famílias que veem as suas vidas condicionadas por uma sociedade que, em muitos casos, não facilita o acesso ao emprego e as limita e impede de viver com dignidade.»
 
O desemprego por doença, idade, fraca escolaridade ou falta de experiência profissional, dificultam a obtenção de trabalho originam as difíceis situações socioeconómicas em que estas pessoas e famílias se encontram. «O número de pessoas carenciadas é grande e torna-se difícil conseguirmos entregar os bens alimentares necessários para a sua subsistência. Os que nos chegam não são suficientes face à quantidade de pedidos de ajuda e a Paróquia tem redobrado o esforço para atender não só as famílias abrangidas pelos programas, mas também às necessidades das famílias que não estão abrangidas por nenhum programa e passam por grandes dificuldades.»
 
A reportagem do Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro conta também com testemunhos de utentes que a Educadora Social, Carla Martinho, acompanha no trabalho de Acção Social, como «Maria», de 45 anos, divorciada, doente oncológica e vive com o filho de 18 anos. Sobrevivem com a pensão de alimentos do filho e com o Rendimento Social de Inserção (RSI), pagando as despesas da casa, medicação, alimentação e os estudos do filho.
 
José Nascimento, ex-recluso e ex-toxicodependente, conheceu a dura condição de “sem-abrigo”, e chegou até à Instituição através do GIP (Gabinete de Inserção Profissional), através do qual conseguiu trabalho «e encontrou na nossa Instituição a ajuda necessária para sair da situação em que estava».
 
José Rodrigues, 62 anos, encontra-se desempregado há mais de três anos, é utente da Cantina Social, uma pequena ajuda que muita diferença faz no seu rendimento mensal que se resume aos 186€ do RSI que recebe. Para pagar o quarto onde “sobrevive” retira 150€, restando-lhe apenas 36€ para se governar durante todo o mês.
«Ao contrário do que se ouve frequentemente nos meios de Comunicação Social sobre a diminuição do desemprego e melhoria das condições de vida, a realidade é um pouco diferente e que todas as semanas chegam até nós pessoas a pedir apoio» afirma Carla Martinho. «Hoje em dia, não ter telemóvel é um fator de exclusão social, porque se a pessoa se estiver à procura de emprego não consegue arranjar trabalho porque o empregador não a consegue contactar.»
 
Apesar das anunciadas melhorias económicas dos últimos anos em Portugal, os problemas mantêm-se. «Quem nos procura são famílias que trabalhavam, tinham uma vida organizada e que, de repente, ficaram sem trabalho ou adoeceram, mulheres que ficam sozinhas com os filhos, trabalhos precários, mal remunerados, reformas baixas e as rendas cada vez mais altas. São pedidos de ajuda diferentes daqueles que recebíamos há anos atrás, vêm pedir mas com vergonha, são pessoas que, noutras situações, nunca viriam recorrer a este apoio, por ser uma novidade o tipo de situação que enfrentam.»
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