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OPINIÃO - O pesadelo diário das travessias fluviais entre as duas margens do Tejo

Opinião de Susana Silva, membro da Comissão Executiva Nacional do PEV e utente diária da ligação Barreiro-Lisboa.

 

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Localidade
  • Distrito de Setúbal

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  • Opinião

A situação dos utentes das ligações fluviais entre as duas margens do Tejo, tem-se agudizado nos últimos meses, por falhas constantes do serviço, supressão de ligações, atrasos sucessivos, causando graves transtornos nas suas deslocações diárias, não esquecendo que os utentes viram os seus títulos de transporte aumentar desde o início do ano.

 

Diariamente se verificam salas de embarque cheias de passageiros, cuja ligação foi suprimida, sem qualquer aviso prévio, tendo os utentes que esperar por vezes mais uma hora, pelo próximo barco que muitas vezes acaba por não chegar.

 

Os constrangimentos que sentimos diariamente nas nossas deslocações são o resultado de anos e anos de desinvestimento nas empresas públicas de transportes, por parte de sucessivos Governos. Importa recordar que o anterior Governo PSD/CDS pretendia privatizar a Transtejo e a Soflusa e como tal, nenhum investimento foi feito nestas empresas, antes pelo contrário assistiu-se a acentuados cortes com pessoal, material, reparações e manutenção, essenciais para o bom funcionamento e segurança da frota, e como se tal não bastasse ainda procedeu à venda de embarcações.

 

Tudo contribuiu para chegarmos à situação em que nos encontramos, hoje fazer a travessia entre a margem sul e Lisboa, representa um verdadeiro pesadelo para milhares de passageiros.

 

No passado mês de Fevereiro, numa audição na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, o Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente anunciou que se encontra em estudo a aquisição de 10 embarcações para reforço da frota da Transtejo e da Soflusa.

 

Para tal, estão disponíveis 17 milhões de € do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), sendo que o Governo terá que disponibilizar uma verba de cerca de 33 milhões de € a acrescentar à verba do POSEUR, para a aquisição das 10 embarcações.

 

É um anúncio que tarda em efetivar-se pois estamos perante uma situação de rutura que exige no curto prazo medidas urgentes e imediatas, sob pena de que o serviço público de transporte fluvial entre em colapso total.

 

Na passada quarta-feira, dia 7 de março a supressão de metade das ligações Cais do Seixalinho/Cais do Sodré, gerou um descontentamento generalizado entre os utentes, que decidiram de forma espontânea se concentrarem na entrada das instalações da Transtejo no Cais do Sodré, solicitando serem recebidos pela Administração da empresa.

 

Também no dia 8 de março os utentes da ligação Montijo-Lisboa foram confrontados com o aviso da Transtejo de que “dadas as limitações de frota que têm originado irregularidades e supressões de carreiras na ligação fluvial do Montijo, o serviço de transporte fluvial é complementado com serviço de transporte rodoviário, durante os horários de ponta da manhã e da tarde”.

 

O Partido Ecologista Os Verdes considera que esta situação não é de todo aceitável nem viável, não se podendo constituir sequer como opção, tendo em conta a política de combate às alterações climáticas que o Governo tem vindo a anunciar.

 

Além dos utentes, também as várias Comissões de Utentes, por entenderem que a própria fiabilidade do serviço está em causa, têm reivindicado junto da Administração da Soflusa e da Transtejo medidas urgentes para o efetivo cumprimento dos horários, investimento na empresa e a renovação da frota.

 

O Partido Ecologista Os Verdes já questionou inúmeras vezes o Governo, e após recentes reuniões com as Comissões de Utentes, vai mais uma vez insistir na urgente necessidade de dotar no curto espaço de tempo as empresas Transtejo e Soflusa de meios para o efectivo cumprimento dos horários nas ligações fluviais entre as duas margens do Tejo, mantendo uma firme disposição de exigência de um transporte fluvial de qualidade, rápido, seguro e com preços acessíveis, para quem vive e trabalha na margem sul do Tejo.

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