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OPINIÃO - De como Abrão fez do Lenocínio um ofício Bíblico antes de se transformar por vontade Divina em Abraão

Esta semana mais um artigo de opinião de Gameiro Fernandes sobre a história bíblica de Abrão e o lenocínio

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Et quod, cum viderint te Aegyptii, dicturi sunt: "Uxor ipsius est"; et interficient me et te reservabunt. Gn 12:12 Dic ergo, obsecro te, quod soror mea sis, ut bene sit mihi propter te, et vivat anima mea ob gratiam tui” Gn 12:13

Inicio o presente texto em latim, não por demonstração de uma particular sapiência, de que não me sinto possuidor, mas antes por vergonha e repulsa do seu conteúdo.

Estas palavras Bíblicas proferidas pelo profeta Abrão constituem a certidão de nascimento formal de uma prática de parasitismo que vinha sendo praticada pela humanidade antes e após o dilúvio.

 

Se Deus envergonhado com a sua criação, decidiu reformatar e recomeçar de novo, montando Noé numa arca e afogando todo o resto da sua criação respirante, não teve menos motivo para se envergonhar da posterior descendência do barbudo navegante, sua mulher e três filhos e noras, que do cataclismo foi o que sobrou da espécie humana.

Da sua prole consta um bando de fratricidas, parricidas, homicidas, loucos, lunáticos, tresloucados e no caso que nos prende a atenção de proxenetas.

 

Nesta sequência foi Abrão o primeiro proxeneta Bíblico que, pressionado pela fome e sob mandato divino, decidiu aos setenta e cinco anos procurar melhor sorte em terras do Egipto, fazendo do lenocínio a sua principal e ao que é conhecido única ocupação.

Pelos padrões Bíblicos ainda era um jovem pois teria pela frente mais 100 anos de vida, pese embora muito menos do que Matusalém seu antepassado que adubou a terra com as suas fezes durante 969 anos

Abrão ciente que a extrema beleza de sua mulher Sarai, suscitaria a cobiça dos Egípcios, que para dela se apossarem em exclusivo, depressa se encarregariam de antecipar-lhe os largos anos que ainda tinha para viver, convenceu-a a fazer-se passar por sua irmã, de modo a que, fosse bem tratado e que por essa via a sua vida, dele Abrão, fosse poupada, em nada mais se importando do que o seu próprio bem-estar pessoal e material.

 

É sobre este vergonhoso trato que ocupam os versículos Bíblicos, que por mero pudor foram deixados na sua versão Latina, na esperança de que poucos os consigam ler e deles retirar as suas pontiagudas conclusões.

Nenhum título melhor seria apropriado ao traste humano que foi Abrão, como o que foi dado ao capítulo 12 do Génesis de onde os vergonhosos versículos foram retirados, o qual vem muito propriamente apelidado de “a Vocação de Abrão”.

Desconfia-se que o nome se encontrará convenientemente aliterado ou aligeirado na sua forma para melhor redução da ofensa, faltando-lhe deliberadamente uma letra, que poderia levar grande ofensa a este exemplo de virtude Bíblica do que era à data um patriarca.

Sendo, no entanto, uma certeza, porque inscrito no livro, que o Deus de Abrão, por via das dúvidas e para evitar confusões desonrosas para as gerações vindouras se viu mais tarde forçado a modificar-lhe o nome para Abraão Gn 17:5

Que o homem tinha vocação para arcar com os ornamentos do diabo, é uma verdade absoluta e incontestável, constituindo essa laboriosa incumbência num acto de fé, porque constante da Bíblia.

 

É, no entanto, seguro concluir que os ostentava com grande convicção, face ao temor de perder de forma abrupta a centena de anos que ainda lhe restava, por isso vocacionou nesse sentido de forma pragmática toda a mansidão necessária ao usufruto das benesses vindouras.

Por causa de sua mulher, Abrão foi muito bem tratado, e recebeu ovelhas, bois, jumentos, servos e servas, jumentos e camelos Gn 12:16

Vivendo no Egipto refastelado à conta do Faraó que por sua vez usufruía das benesses provenientes da aplicada beleza de sua mulher.

Este grande Patriarca Bíblico que está no cerne, não de uma, mas de três religiões, era um indivíduo medroso que temente pela vida trocou a sua honra e amor próprio pela boa vida que lhe foi proporcionada por quem, pagando se serviu de sua mulher.

Sendo esta por sua vez estéril, por mera sorte ou por ser portadora da pílula divina, enquanto durasse esta incumbência, pois em contrário ficaria a prol de Abraão confundida quanto à sua ascendência, se da linhagem de Matusalém ou da divindade Egípcia, fosse ela gato, cão, falcão ou o próprio Faraó vivente.

O que seria bastante para criar profundas divergências doutrinais sobre a divindade perante a qual teriam de vergar os costados e humildemente servir, o que por certo não agradaria ao seu verdadeiro Senhor.

 

Ovelhas, Bois, Servos e Servas, jumentos e camelos à parte, a venda do sexo da sua esposa foi a única actividade conhecida deste pontiagudo patriarca em terras egípcias, que fez do lenocínio um modo de vida rentável e respeitável no entendimento Bíblico, onde a imoralidade do acto encontrou assento e reconhecimento na própria vontade do Senhor,

Pois foi a mando de Deus, omnisciente e como tal sabedor do presente e do futuro que Abrão se dirigiu com a mulher para o Egipto, onde já adivinhara com antecedência o destino bicudo que o aguardava, face ao embuste de querer fazer passar a mulher por sua irmã.

Pelo que teremos de concluir que a divindade encara ou pelo menos encarava como aceitável e desejável a exploração sexual da mulher em proveito do homem, considerando-a implicitamente uma actividade lícita e digna de louvor nos versículos sagrados.

Nem o facto de Deus ser assexuado e como tal inexperiente no que a essa matéria diz respeito, justifica uma tamanha ausência de pudor e moral do que em face da lei dos homens constitui a prática de um crime.

 

A favor de Abrão, embora não desculpabilizante, pode concorrer o facto de a sua bela mulher estar farta de aturar aquele estafermo sem honra nem moral e ter encarado voluntariamente essa incumbência como uma benesse, dando alegre e prontamente a sua anuência na aplicação ornamental e decorativa dos atributos maritais.

Não deixando, no entanto, de ser considerada adúltera aos olhos da fé e o manso beneficiário como falho de carácter, pela prática do que mais adiante na Bíblia passou a ser também considerado crime punível com apedrejamento.

De onde resulta ser a palavra de Deus constante do livro, antagonicamente bipolar, para não tecer por ora comentários sobre a relatividade de que é constituída a Moral, que deixarei para futuras dissertações.

 

Ao que se sabe este regabofe complacentemente tolerado, ou melhor, ordenado por Deus só terminou quando o faraó tomando conhecimento do logro devolveu a mulher ao seu respectivo chulo e os correu a ambos a pontapé para fora das suas terras, pese embora, e isso milita a seu favor, com todo o património amealhado no leito extraconjugal. Gn 12:20

Era então nessa data Abrão rico em rebanhos, prata e ouro, activos que foram ganhos na proporção da extraordinária beleza de sua mulher. Gn. 13:2

Lot, que acompanhava Abrão, possuía, igualmente, ovelhas, bois e tendas, muito provavelmente angariados da mesma forma, ao que parece um modo de vida à data muito produtivo, e rentável, cujos ganhos só tem hoje paralelo no exercício da igualmente promiscua actividade política. Gn 13:5

Sendo ambos ricos e a terra pobre para manter tanta flatulência cénica separou-se Lot para se apoderar do vale do Jordão e Abraão dirigiu a sua pontiaguda fronte para Canaã.

 

Debatia-se, no entanto, Abrão com um grande problema de descendência, face à aparente esterilidade de Sarai sua mulher.

Pelo que se ia entretendo a pedido desta com uma escrava de nome Agar, de quem aos oitenta e seis anos e após algum esforço e rigoroso cumprimento dos preceitos teve um filho de nome Ismael.

Para limpar toda esta imoralidade sugeriu Deus a Abraão uma aliança, pela qual lhe propunha a concessão de um filho de sua legítima, mas já usada esposa Sarai, em troca de este arregaçar o seu próprio prepúcio, bem como o de todos os que dele dependessem onde se incluía a descendência da turba que o acompanhava.

Consistindo tal acto na obrigação ritual da circuncisão, que na prática era a emissão do passaporte que daria acesso ao reino do céu quando se apresentassem para o recebimento da recompensa eterna, onde para poder transpor os portais celestiais teriam de exibir o dito arregaço.

 

Esta prática não se sabe ao certo no que aproveita a Deus, mas seguramente melhor aproveitaria ao idoso patriarca então centenário que viu refulgir desse modo a força suficiente para gerar um rebento na sua esposa a quem faltavam apenas dez anos para atingir essa provecta idade. Gn 17:9

Por essa santa e sagrada aliança Abrão, para que não houvesse qualquer confusão de nome ou humilhação pela sua actividade ocupacional anterior, passaria a chamar-se Abraão e a sua mulher passaria a dar pelo nome de Sara, apagando por esse modo e de forma definitiva o seu obscuro passado egípcio. Gn 17:15

Ficando Abraão munido de um instrumento modificado em função do novo objectivo procriador e Sara, depois do longo e proveitoso investimento no aumento do pecúlio de seu marido, virginalmente apagada de toda a mácula e pecado a serem os alegres e babosos progenitores de Isaac seu filho.

 

A história de Abrão, agora transformado em Abraão e de Sarai virginalizada e reconstituída em Sara não termina aqui, nem tão pouco aqui termina a história do proxenetismo Bíblico que tem sequelas futuras, com as mesmas e outras notáveis personagens e em alguns casos com consequências mais gravosas do que uma mera deformação na testa.

Importa, no entanto, não deixar de chamar os bois pelo seu nome e este exemplar homem Bíblico glorificado como sendo um grande patriarca, e exemplo de religiosidade, mais não passa de um vergonhoso chulo que colocando a mulher a render consegue viver sem trabalhar à conta da venda do seu corpo.

É a história deste traste que vem enaltecida no livro sagrado conhecido por conter a pureza da vontade divina.

 

À face da lei penal actualmente em vigor este espécime aberrante e a sua divindade instigadora seriam punidos pela prática de um crime de lenocínio, agravado em relação ao traste humano pelo facto de a vitima ser sua mulher, com a pena de 1 a 8 anos de prisão pela aplicação da alínea c) do nº 2 do artigo 169 do Código Penal .

Tenho como é evidente especial preferência pela punição constante da lei do Homem em detrimento da lei divina que não só não pune o infractor como o premeia, cumulando-o de benesses e horarias.

Divindade que também teria de passar alguns anos da sua eternidade num estabelecimento prisional como instigador da pratica de tão horrendo crime, que teria de somar aos muitos dos outros cometidos que se encontram devidamente documentados no seu livro sagrado.
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