OPINIÃO

OPINIÃO - As Redes Sociais e a Democracia 3.0 na Freguesia de Pinhal Novo

É inegável que o acesso generalizado da população aos computadores e aos smartphones, bem como a popularização das redes sociais teve como consequência a democratização do poder mediático, passando cada cidadão a dispor da possibilidade de emitir opiniões e de as fazer chegar a um elevado número de pessoas, exercício até então restrito aos media. A emissão de opinião pública deixou de ser restrita a um núcleo de intelectuais (ou pseudo-intelectuais…) e passou a estar acessível a todos e à distância de um simples clique.

Autores
  • Bruno Grazina | Membro da Assembleia de Freguesia de Pinhal Novo

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  • Bruno Grazina

Esta possibilidade veio assim alterar substancialmente o equilíbrio entre os poderes instalados, relativizando a importância dos tradicionais media com tiragem impressa (que a nível local tantas vezes actuam como autênticos Pravdas, protegendo os interesses das autarquias comunistas e recebendo benefícios de forma directa ou indirecta – desde anúncios pagos até à concessão de avenças) e veio abrir a possibilidade dos conteúdos serem partilhados no seu estado puro, sem perversão dos Glavlits locais ou interferência de qualquer outra forma de censura.

 

O cidadão passou a ter a possibilidade de partilhar a fotografia do buraco que existe à porta de casa tão somente com o objectivo de denunciar a situação para que a mesma seja resolvida e diariamente assistimos nos nossos “feeds” a inúmeros exemplos dessa cidadania activa.

 

Contudo, infelizmente, não creio que os organismos e os agentes políticos do nosso concelho estejam a dar as devidas respostas e a aproveitar as oportunidades que advêm destas alterações da sociedade para melhorar a qualidade do seu trabalho.

 

Temos disso vários exemplos, como a Junta de Freguesia de Pinhal Novo, em que, por opção política, as plataformas digitais não são potenciadas para melhorar o serviço prestado. As próprias redes sociais não são utilizadas como meio de consulta de denúncias nem de auscultação e desenvolvimento de diálogo com os cidadãos mas apenas como meio de propagandear trabalho que mais não é que simples obrigação dos eleitos (com peculiar e curioso aumento de incidência de publicações nos dias anteriores às reuniões da Assembleia de Freguesia).

 

Creio que é fundamental ter a percepção que as novas tecnologias vieram alterar as “regras do jogo” e que o facto dos cidadãos disporem hoje de maior fluxo de informação deve também gerar uma maior responsabilização política dos eleitos e que, por esse motivo, existe a obrigação de potenciar os canais existentes para o desenvolvimento da democracia participativa e a aproximação a uma democracia directa, procurando ainda desburocratizar e simplificar processos da administração local.

 

Encontramos bons exemplos disso mesmo e a diversos níveis através das apps “Na minha Rua”, “GeoEstrela”, “LisBoaIdeia” ou do portal “Lisboa Participa", verdadeiros instrumentos que aproximam e que permitem acções de permanente fiscalização e interacção entre os eleitos e os eleitores. Estes exemplos revelam-se positivos também ao nível económico, uma vez que o investimento realizado no desenvolvimento das apps e plataformas teve o seu retorno ao nível da poupança em fiscalização num período que se fixa em menos de um ano.

 

Temos ainda o exemplo do Presidente da Junta de Freguesia de Campolide que semanalmente realiza directos nas redes sociais, auscultando a população e prestando contas pelo trabalho realizado.

 

Acredito que esta prática, que pode ser feita sem custos para a autarquia, dignifica e eleva o trabalho autárquico para um patamar superior de permanente prestação de contas, sendo um exemplo que devia ser replicado por todo o país.

 

Os nossos autarcas locais deviam assim colocar os olhos nestes exemplos de boas práticas, para que, antes de mais, alcançassem a noção de que o mundo está em constante mudança e que é fundamental que, de forma humilde, se acompanhem essas mesmas mudanças.

 

Caso contrário, continuando reféns dos aparelhos partidários e dos seus dogmas de unicidade e pensamento único, temo que não estejam (nem venham) a fazer devidamente o trabalho para o qual foram eleitos pela população no sufrágio do ano passado.

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