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OPINIÃO - A Estultícia e os seus efeitos colaterais na Sociedade

Outro artigo de opinião de Gameiro Fernandes desta feita sobre a estultícia.

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A estultícia, vulgarmente conhecida por imbecilidade ou tão somente por estupidez, é a forma escolhida pelos seres inferiores para apregoarem a sua ilusória superioridade.

É igualmente o método involuntariamente escolhido e exteriorizado pelos cobardes na clara intenção de camuflarem a sua defeituosa autoestima.

 

Um Estulto, devido à sua deformidade intelectual e amorfismo de carácter, é sempre um ser que se sente superior ao seu próximo, para além de invariavelmente ser também um cobarde que se serve do poder que momentaneamente possui para impor uma forma autocrática de autoridade que o faça sentir superior.

 

Se o Estulto, apesar de asno, tiver capacidade de aferir a extensão da sua ignorância, torna-se muito perigoso para a sociedade, na medida em que terá necessariamente de possuir inerente ao seu carácter um complexo de inferioridade que procurará compensar com o excesso de autoridade. Para o imbecil a autocracia é a única forma que possui para se poder impor uma vez que ninguém respeita voluntariamente um imbecil.

 

O Estulto é incapaz de interiorizar que a melhor forma de exercer a autoridade é pelo respeito e pelo exemplo, o exemplo que as pessoas seguem de forma natural, sem necessidade de qualquer imposição coerciva.

Esta incapacidade é de facto uma evidência, porque o imbecil não possui qualquer exemplo para dar a não ser a sua desvalia intelectual.

Nem tão pouco se pode dar ao respeito porque ninguém no seu perfeito juízo e no pleno uso da sanidade mental tem respeito por um asno.

 

Tudo isto para dizer que a estultícia é a imagem de marca de certos políticos e decisores da estrutura do Estado, que à falta de melhor qualificação pessoal vão passeando a sua imbecilidade com o ar superior que só a falta de discernimento e bom senso lhes confere.

Porém, o mais grave é que os estultos pululam na sociedade e na estrutura do Estado como cogumelos numa floresta de Outono.

 

Faz parte da natureza genética do Estulto a sua idiótica propensão para a asneira, tal como faz parte da natureza intrínseca do Politico a sua inata propensão para a corrupção.

Em bom rigor, um imbecil não deveria ser um problema para o comum do cidadão, no entanto um imbecil colocado num lugar decisório é um perigo para a Sociedade que o sustenta, dando-lhes este em troca o absentismo de pensamento e o despropósito dos seus actos, que no limite podem vir a afectar o cidadão mais incauto.

 

Por isso é sempre útil ter à mão um manual que nos avise e denuncie de forma clara e inquestionável a proximidade de tão repugnante ser, antes que este se venha a transformar num risco.

Neste pressuposto o método mais fácil de identificação do Idiota é após este ter feito a idiotice, pelo que teremos de descartar este método, pois longe de ser preventivo é antes de mais identificativo e de nada nos serve como medida cautelar.

Que um burro faz burrice, todos nós sabemos, o que pretendemos é evitar que a idiotice se apresente como um resultado final, pelo que temos de identificar o potencial burro antes de ele fazer o que a sua natureza lhe impõe como tarefa.

 

Como método de trabalho fica descartada a identificação à posteriori do dito asno, pelo que temos de encontrar uma técnica de detecção que o identifique antes da prática do disparate.

O melhor local para iniciarmos a nossa busca é pelo local de trabalho onde estes espécimes melhor se identificam, tomando para o caso e para exemplo a estrutura do Estado.

Aí, quanto mais para cima olhamos na hierarquia, mais espécimes encontramos, isto porque o asno/idiota pode não ser dotado de inteligência, mas é seguramente um lambe botas que se sabuja a quem lhe está por cima e maltrata quem lhe está abaixo.

 

Por isso para estes exemplares, pese embora a sua idiotice, é extremamente fácil a progressão na carreira administrativa porque a vaidade de quem está acima é propícia a premiar a untosidade do asno subserviente.

Isto porque quem está acima do idiota, de características genéticas semelhantes, por sua vez verga o costado e rasteja aos pés de quem hierarquicamente se encontra em posição superior.

É uma cadeia hierárquica que premeia a estultícia em detrimento do valimento intelectual.

De notar que alguém que tenha a espinha direita e não se incline amarrecadamente ao chefe tem poucas possibilidades de progredir, pelo que devemos de imediato e sem qualquer hesitação excluir quem não se verga da categoria dos idiotas, reduzindo por essa forma o leque dos candidatos a Estulto.

Daqui retiramos a conclusão óbvia de que junto de alguém excessivamente e artificiosamente adulado estará necessariamente um Estulto.

Temos assim de concluir que a subserviéncia é uma das mais aviltantes características do idiota.

 

Fica deste modo identificada a forma, o método e a localização do idiota, sendo de determinar que quanto mais rastejante for na linha ascendente e autoritário para a linha descendente mais idiota é o nosso candidato.

Ficamos agora com a certeza de que os idiotas não são todos iguais na sua grandiosa capacidade de produzir asneira

Existem uns mais aptos para esta actividade do que outros, mas no entanto nem uns nem outros deixam de ser idiotas.

 

Importa aqui proceder à identificação dos escalões taxonómicos dos Estultos começando por compreender de onde provém esta espécie maligna, nefasta à sociedade.

A sua origem advém de uma mutação degenerativa do Homo Erectus que deu origem mutativa ao Homo Inclinatus, de onde provem a natural tendência para a inclinação reverencial dos Estultos.

Estultos que são primos directos do Homo Politicus provenientes do mesmo erro genético e do antepassado comum que lhes introduziu no ADN a propensão para a sabujice e postinclinação da postura.

 

Aqui chegados, o que nos interessa é a identificação precisa e escalonada do Estulto deixando de lado para apreciação futura a mutação genética do seu primo político.

Devemos concluir por necessidade de escalonamento que o Idiota se divide em três sub-categorias, a saber, o preliminar o intermédio e o super idiota.

O Preliminar, como a sua classificação indica é um mero candidato a idiota, mas ainda não aperfeiçoou a sua capacidade rastejante. Este espécime de candidato a idiota localiza-se na base da cadeia alimentar, já se incorporou na estrutura do Estado, tem o pensamento claudicante como é exigível a um idiota, mas está na fronteira em que poderá ainda reverter a sua carga genética e evitar a burrice total.

É um espécime que devidamente trabalhado, pode quedar-se apenas na idiotice singela sem grande perigosidade social.

 

O Estulto intermédio, por sua vez já possui uma irreversibilidade na constituição da personalidade, já irremediavelmente estigmatizada, uma vez que atingiu um patamar de deformação de caracter que já não lhe permite qualquer recuperação.

É um espécime que por ter aprimorado algumas deficiências da sub espécie se torna perigoso, pese embora possa ser controlado e limitado nos danos colaterais que pretenda produzir.

 

O Estulto Super Idiota é aquele que atingiu um grau de deformação extremo, tendo aperfeiçoado todas as capacidades permitidas pela sua genética e ocupa normalmente os cargos directivos.

Este exemplar é de todo insusceptível de ser recuperado ou aproveitado para as tarefas mais simples e insignificantes.

É o espécime mais perigoso dado o poder que entretanto adquiriu, o que o torna ainda mais arrogante e prepotente.

Evoluiu no sentido oposto ao líder e encontra-se na franja mais negra da hierarquia social, pois enquanto o líder aglutina voluntariamente à sua volta quem de livre vontade lhe obedece, o Estulto super idiota impõe a sua vontade pelo terror e autocracia.

 

Estes exemplares são extremamente perigosos se reunirem poder suficiente, pois a sua tendência natural é regredirem para um estádio de imposição absoluta da sua vontade, transformando-se em Ditadores.

Daí a conclusão que um ditador é sempre um idiota.

 

2018 Gameiro Fernandes

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