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OPINIÃO - PEV - É Tempo de Travar a Ditadura do Eucalipto!

Esta semana um artigo de Victor Cavaco, Dirigente Nacional do Partido Ecologista Os Verdes, acerca dos incêndios florestais e o cultivo de eucalipto.

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Ano após ano o drama dos incêndios florestais assola Portugal.

Ano após ano e pós época de fogos, se reclamam medidas, se prometem ações que, pouco tempo depois, se dispersam como fumo na atmosfera e na memória de quem decide e na memória da generalidade da imprensa ou da sociedade.

 

Das cinzas nascem novos rebentos e assim se vai apagando a responsabilidade, se vai desculpando a morosidade, se vai escapando uma verdadeira vontade de mudar este paradigma que toca a política florestal, que toca a forma e a eficácia dos meios de combate e prevenção, que toca o esquecimento a que vai sendo votado o interior do país, que toca a percepção de que o fenómeno das alterações climáticas é cada vez mais emergente e cada vez mais preocupante.

 

Este ano de 2017 foi terrível para quem mais sofreu com os incêndios, para quem sofreu perdas inqualificáveis, perdas injustificáveis.

Foi o ano com maior área ardida, mais de 500mil hectares, com maior número de vítimas mortais, com elevadíssimo número de ocorrências.

 

Foi o ano em que as alterações climáticas demonstraram que não são mero capricho de ecologistas e ambientalistas angustiados mas um verdadeiro risco para a humanidade e para o futuro do nosso Planeta.

 

Mas mais uma vez este ano se descobriu o que há muito o Partido Ecologista Os Verdes vem defendendo e vem propondo como projeto de desenvolvimento para o país:

A urgência em ter uma floresta resiliente assente em espécies autóctones;

A urgência em incentivar a agricultura nacional de cariz familiar e revitalizar o interior do país, combatendo as assimetrias regionais;

A necessidade premente de ter um corpo de guardas e vigilantes da natureza capazes de levar a cabo uma missão que é vital ao país e ao seu património natural;

A necessidade de abordar a política energética do ponto de vista da poupança e da eficiência, numa cada vez menor dependência do petróleo e maior dependência do sol.

 

Quando o Partido Ecologista Os Verdes foi criado, em Dezembro de 1982 (já lá vão 35 anos), uma das grandes bandeiras que esteve nesta génese foi a luta contra a eucaliptização do país.

Desde então Os Verdes têm desenvolvido campanhas, iniciativas, ações que ponham um travão à expansão da área de plantação de eucalipto em Portugal.

 

Após os resultados eleitorais para a Assembleia da República, em Outubro de 2015, Os Verdes assinaram uma posição conjunta para permitir que estes pudessem formar um Governo minoritário.

 

Nessa posição conjunta Os Verdes colocaram como questão fundamental travar a expansão da área do eucalipto e revogar a Lei que liberalizou a sua plantação.

 

Apesar de esta posição conjunta ter sido assinada pelo Partido Ecologista Os Verdes e pelo Partido Socialista no dia 10 de Novembro de 2015 e de o seu Governo ter entrado em funções pouco tempo depois, o certo é que a nova legislação produzida com esta marca só veio a ver a luz do dia depois dos dramáticos incêndios do verão e Outubro de 2017. Fruto de grandes resistências por parte do PS.

 

É tempo de travar a ditadura do eucalipto e assumir de uma vez por todas a floresta nas suas diversas vertentes.

É tempo de assumir que o país só tem futuro com um Mundo Rural vivo e dinâmico.

 

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